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Como Contribuir como Autônomo no INSS em 2026: Valores, Planos e Passo a Passo

MMarcio Albuquerque · 22/04/2026 · 8 min de leitura

⚡ Resumo rápido

Autônomos contribuem ao INSS com 5% (MEI), 11% (simplificado) ou 20% (plano normal). Em 2026, com salário mínimo de R$ 1.612,00, o valor mensal vai de R$ 80,60 a R$ 1.713,06. O plano de 11% não dá direito a aposentadoria por tempo de contribuição. Quem quer essa modalidade precisa pagar 20%. A escolha do plano define o valor e o tipo de aposentadoria que você vai receber.

3
planos disponíveis
R$ 80,60
contribuição mínima (MEI)
R$ 1.713
contribuição máxima/mês

Em 2026, quem trabalha por conta própria paga entre R$ 80,60 e R$ 1.713 por mês ao INSS. Existem três planos: 5% para MEI, 11% simplificado e 20% normal. Cada um dá direito a benefícios diferentes. Escolher errado pode significar uma aposentadoria menor ou até perder o direito a se aposentar por tempo de contribuição. Veja a seguir como funciona cada plano e quanto você vai pagar.

👤Quem precisa contribuir como autônomo no INSS?

O INSS chama o trabalhador autônomo de contribuinte individual. Entram nessa categoria:

Se você trabalha por conta própria e não tem vínculo CLT, precisa contribuir por conta para ter direito a aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte.

Quem não contribui fica sem proteção. Se parar de pagar por mais de 12 meses, perde a qualidade de segurado e fica descoberto.

📊Os 3 planos de contribuição: qual escolher?

O INSS oferece três formas de contribuição para autônomos. A diferença está na alíquota, no valor pago e nos benefícios que você recebe.

Plano MEI (5%): exclusivo para microempreendedores individuais com faturamento até R$ 81 mil por ano. Valor fixo e baixo.

Plano simplificado (11%): para quem não é MEI e quer pagar menos. Dá direito a aposentadoria por idade, mas não por tempo de contribuição.

Plano normal (20%): a contribuição mais completa. Dá direito a todos os benefícios, incluindo aposentadoria por tempo de contribuição. Permite contribuir acima do salário mínimo.

A escolha certa depende do quanto você pode pagar e do tipo de aposentadoria que deseja.

💰Tabela de valores atualizados para 2026

Veja quanto cada plano custa por mês em 2026, com base no salário mínimo de R$ 1.612,00 e teto de R$ 8.565,29:

PlanoAlíquotaBase de cálculoValor mensalCódigo GPS
MEI5%R$ 1.612,00R$ 80,60DAS-MEI
Simplificado11%R$ 1.612,00R$ 177,321163
Normal (mínimo)20%R$ 1.612,00R$ 322,401007
Normal (teto)20%R$ 8.565,29R$ 1.713,061007

O MEI paga pelo DAS (documento único). Os demais geram a Guia da Previdência Social (GPS).

⚠️Plano simplificado (11%): economia com uma pegadinha

O plano de 11% parece ótimo: você paga R$ 177,32/mês e tem direito a aposentadoria, auxílio-doença e pensão por morte. Mas existe uma pegadinha importante.

Com esse plano, você só pode se aposentar por idade. Ou seja: mulheres aos 62 anos e homens aos 65 anos, com pelo menos 15 anos de contribuição.

Se você quiser se aposentar por tempo de contribuição, precisa do plano de 20%. E se já pagou anos no plano de 11%? Pode complementar a diferença (mais 9%) para que esse período conte como tempo de contribuição.

O código para complementar é o 1872 na GPS.

📈Plano normal (20%): para quem quer aposentadoria maior

O plano de 20% é a contribuição mais completa do INSS. Com ele, você tem direito a todos os benefícios, incluindo aposentadoria por tempo de contribuição.

A grande vantagem: você pode escolher quanto pagar. O valor varia entre o salário mínimo (R$ 322,40/mês) e o teto (R$ 1.713,06/mês).

Quanto maior sua contribuição, maior será o valor da aposentadoria. Se você ganha bem como autônomo, contribuir acima do mínimo aumenta sua média salarial no cálculo do benefício.

Após a Reforma de 2019, a aposentadoria é calculada sobre 100% da média de todos os salários desde julho de 1994.

Precisa de ajuda para calcular a contribuição ideal para o seu caso? Um especialista pode analisar sua situação e indicar o melhor plano. Chame no WhatsApp.

📝Como gerar e pagar a guia GPS: passo a passo

Para contribuir como autônomo, você precisa gerar a Guia da Previdência Social (GPS). Veja o passo a passo:

  1. Acesse o site Meu INSS (meu.inss.gov.br) ou o app pelo celular
  2. Faça login com sua conta Gov.br
  3. Vá em 'Emitir Guia de Pagamento (GPS)'
  4. Escolha o código correto: 1007 (20% mensal), 1163 (11% mensal), 1406 (20% trimestral) ou 1180 (11% trimestral)
  5. Informe o mês de referência e o valor do salário de contribuição
  6. Gere o boleto e pague até o dia 15 do mês seguinte

Se o dia 15 cair em feriado ou fim de semana, o vencimento passa para o próximo dia útil. Pagar atrasado gera multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%.

📅Contribuição trimestral: quando vale a pena?

Se você contribui sobre o salário mínimo, pode pagar a cada 3 meses em vez de todo mês. Isso reduz idas ao banco e facilita a organização.

O valor trimestral é simplesmente 3 vezes o mensal:

Os trimestres seguem um calendário fixo: janeiro-março, abril-junho, julho-setembro e outubro-dezembro. O vencimento é sempre no dia 15 do mês seguinte ao fim do trimestre.

Atenção: a contribuição trimestral só vale para quem contribui sobre o salário mínimo. Se o valor é acima do mínimo, o pagamento precisa ser mensal.

🚫5 erros que podem atrasar sua aposentadoria

Cuidado com estes erros comuns entre autônomos:

  1. Pagar com código errado: usar o código 1007 quando queria o 1163 (ou vice-versa) pode gerar problemas no CNIS
  2. Ficar mais de 12 meses sem pagar: você perde a qualidade de segurado e fica sem cobertura do INSS
  3. Não guardar os comprovantes: sem comprovante, fica difícil provar o pagamento se o INSS não registrar
  4. Contribuir abaixo do mínimo: contribuição menor que o salário mínimo não conta como mês válido
  5. Escolher o plano errado: pagar 11% por 20 anos e depois descobrir que não pode se aposentar por tempo de contribuição

Revise seu extrato no Meu INSS pelo menos uma vez por ano para garantir que está tudo registrado.

⚠️
Plano de 11% não dá aposentadoria por tempo de contribuição: Quem paga 11% sobre o salário mínimo só pode se aposentar por idade (62 anos mulher, 65 anos homem). Se você quer se aposentar por tempo de contribuição, precisa pagar 20%. Já pagou anos com 11%? Pode complementar os 9% restantes a qualquer momento usando o código GPS 1872.

Perguntas frequentes

Autônomo pode contribuir para o INSS sem ter CNPJ?
Sim. Qualquer pessoa acima de 16 anos pode contribuir como contribuinte individual, mesmo sem CNPJ. Basta ter um número de PIS ou NIT e gerar a guia GPS pelo site ou app do Meu INSS. Não precisa ser MEI nem ter empresa aberta para pagar o INSS por conta própria.
Qual a diferença entre contribuinte individual e facultativo?
O contribuinte individual é quem trabalha por conta própria e tem renda. O facultativo é quem não tem renda própria, como estudantes e donas de casa. As alíquotas são parecidas (11% ou 20%), mas os códigos de pagamento são diferentes. O facultativo usa os códigos 1473 (20%) ou 1929 (11%).
Posso mudar do plano de 11% para o de 20%?
Sim, a qualquer momento. Basta gerar a GPS com o código 1007 (20%) em vez do 1163 (11%). Não precisa avisar o INSS. Se quiser que o período anterior no plano de 11% conte como tempo de contribuição, complemente os 9% de diferença usando o código 1872.
O que acontece se eu atrasar o pagamento da GPS?
O INSS cobra multa de 0,33% ao dia de atraso, limitada a 20% do valor. Além disso, há correção monetária pela taxa Selic. Você pode gerar a guia atualizada com o valor corrigido pelo site do Meu INSS ou pelo portal da Receita Federal. Pague o quanto antes para evitar juros maiores.
Autônomo tem direito a auxílio-doença e salário-maternidade?
Sim, em qualquer um dos três planos (5%, 11% ou 20%). Para o auxílio-doença, é preciso ter pelo menos 12 meses de contribuição. Para o salário-maternidade, são 10 meses de carência. Você também tem direito a pensão por morte e auxílio-reclusão para seus dependentes.
M
Marcio Albuquerque
Pesquisador em Direito Previdenciário · +20 anos